Descartando o Nosso Lixo em São Paulo


Este é um problema enfrentamos diariamente, e acabamos todos – alguns mais outros menos – colaborando para este grande desastre ambiental urbano que é a geração de lixo. Claro que já existe no mundo gente inserida no conceito de resíduo zero, mas isto está bem distante da realidade da grande maioria.

Esta postagem eu escrevi no meu blog de arquitetura, mas pela importância do assunto resolvi escrever aqui também. As dicas valem tanto para quem mora em São Paulo (com links úteis locais), como para viaja e não quer poluir o lugar aonde vai.

Quando se fala na escala de milhões de pessoas, qualquer fator que faça diminuir a produção individual (ou por lar) de lixo faz uma diferença muito grande. Devemos principalmente reduzir nosso consumo. Porém, a reciclagem também é importante e representa um grande avanço. O problema é que ainda atende muito pouco da cidade; falta infra-estrutura, divulgação e por incrível que pareça conscientização.
Tenho ouvido de alguns professores da USP que a reciclagem de lixo está em 1% do total gerado na região metropolitana de São Paulo, e em 2% do total de lixo gerado no Brasil, é muito pouco! Pretendo então dar aqui umas dicas, já que é uma questão tão importante.


Lixo Eletrônico

Uma tendência irreversível é o aumento deste tipo de lixo. O mundo está cada vez mais tecnológico e o problema está na liberação de substâncias tóxicas (link do Yôga10 sobre isto) no ambiente quando descartados de forma errada.
O governo do estado criou um sistema de catalogação das cooperativas de reciclagem de lixo eletrônico; chama-se e-lixo. Você clica no tipo de lixo, põe seu endereço e o sistema indica a cooperativa mais perto de você. Uma bela iniciativa não?


Sacolas Plásticas

Aqui vai outra pequena polêmica. O prefeito Gilberto Kassab sancionou a lei que proíbe a distribuição e venda de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais em São paulo a partir de 2012. Os estabelecimentos deverão ainda exibir placas informativas “Poupe recursos naturais! Use sacolas reutilizáveis” de 40 por 40cm.
Estão isentas desta lei:
1-) embalagens originais das mercadorias;
2-) embalagens de produtos alimentícios vendidos a granel
(como hortifrúti vendidos em feiras);
3-) embalagens de produtos alimentícios que vertam água
(como carnes e laticínios).
Exite porém quem argumente a favor das sacolas plásticas… (como neste link do “ultimosegundo” da IG). Claro que a questão envolve uma mudança de hábito e mentalidade da população, mas enfim..; argumentos contra as sacolas estão também no portal do Governo do Estado de São Paulo. Ainda interessado nas sacolas? Leia sobre elas no Wikipédia. O que eu acho? devemos diminuir o consumo, e aquelas que usamos devemos reutilizar e reciclar, e ponto. Como fazer isso? Aqui vão bons links que dão dicas sobre o assunto:
sacolinhasplasticas / plastivida / setorreciclagem / portalsaofrancisco


Reciclagem

Como citei no início da postagem, não acredito como ainda estamos tão atrasados neste assunto. Acredito que um dos pontos mais importantes é a coleta seletiva (como na foto de dentro de um supermercado em São Paulo).
Separar é simples: Papel/Metal/Plástico/Vidro
Ainda existem outras categorias e todas seguem um padrão gráfico como nesta imagem tirada do site “Ecologia Online“.


Dúvidas frequentes:
Isopor é reciclável? Sim! (ele é feito de plástico expandido), porém como é muito leve, as empresas não se interessam em recolher. Pouco isopor para muito caminhão.
Não sei a embalagem é de plástico ou de papel! E agora? Para isso existe a triagem e o processamento. Vai pelo que lhe parece mesmo. Ah, o mesmo site acima possui uma postagem com dicas do que pode e do que não pode reciclar.

Lixo Orgânico
Este é mais fedido mas é o mais simples de ser tratado; vira adubo!
Cascas de verduras e frutas, casca de ovo, restos de comida, aparas de madeira e poda de jardim; todo o material orgânico se decompõe e vira húmus, que é melhor que qualquer fertilizante inorgânico existente. São as compostagens, você deve conhecer alguém que a usa no quintal de casa. Vamos ajudar a acabar com a contaminação pelos lixões nas cidades?
Leia as dicas do “Ib USP” e do “Tarja Verde“.

Lixo Contaminado

(hospitalar, industrial e radioativo)
Esta é uma questão delicada pela necessidade de cuidados especiais nas atividades de acondicionamento, manipulação e disposição final. Normalmente as pessoas nem notam a sua existência justamente pelos cuidados de evitar o contato com a população; se notam, é porque está faltando política pública adequada para o assunto. Solução? Boca no trombone!
Exemplos bons não faltam, o que falta é vontade política.
Vide o Incinerador de Pinheiros, um espaço que servia como destinação de resíduos na cidade de São Paulo, que foi transformado em uma praça, auto-intitulada de Espaço Aberto da Sustentabilidade, como descrevi na postagem do Link.


Políticas Públicas para solução do problema
.
Trans-porto e eco-porto, hein?
Além das ações pontuais, como a proibição das sacolas plásticas, estão em curso o desenvolvimento de diretrizes (tanto na RMSP assim como em outros lugares no mundo) para eliminar os aterros sanitários (e os lixões claro, que são ainda piores) de nossas cidades.
Estes cartazes são uma brincadeira – meio séria – de um grupo que estuda a fundo este problema, e propõe soluções integradas nas questões de transporte de cargas públicas, drenagem fluvial, requalificação urbana e valorização dos nossos rios. Trata-se do “Grupo Metrópole Fluvial” da Faculdade de Arquitetura da USP, coordenado pelo Prof. Arquiteto Alexandre Delijaicov. Veja pequena notícia relacionada, da revista Trip.

ps: Eco-porto é lugar de coleta de recicláveis, e Trans-porto é lugar de transbordo de resíduos sólidos para sua correta destinação.

Podemos dividir a questão do lixo nas etapas de: Coleta, Transporte e Destinação.
Na parte da coleta, esta deve atender a todos os domicílios, melhorar sua logística. Está ligada ao transporte, que deve ter o menor impacto possível, com veículos mais eficientes.
A destinação, (relacionada com o transporte pela sua localização), deve ser pensada como forma de transformação do “lixo” em matéria prima para novos usos, num novo ciclo.
Este novo paradigma é também chamado de logística reversa. Onde cada fabricante deve se responsabilizar pela destinação do seu material produzido após seu uso.
O caminho mais natural conhecido é incorporar a triagem e o pré processamento na coleta, para então a reciclagem ser feita pelas indústrias.

 


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