Minha visita ao Soweto, em Joanesburgo – África do Sul

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É impossível dissociar a imagem que temos de África do Sul do apartheid. Eu pensava o tempo todo, em cada esquina, em cada negro que eu via na rua, em cada branco que eu via dirigindo os seus carros. A história da África da Sul está tão enraizada nesse terrível acontecimento quanto o Brasil com a sua escravidão. Nada melhor para entender a história do país como visitar a township de Soweto, em Joanesburgo.

Minha visita ao Soweto, em Joanesburgo – África do Sul

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Ambos países possuem muitas semelhanças. O negro em ambos os países teve papel fundamental para o desenvolvimento do país e de suas culturas, e em ambos os países esse mesmo negro foi deixado à margem. No Brasil, infelizmente, o apartheid não teve um nome específico, mas até hoje vemos que o racismo continua presente. Camuflado, mas presente.

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Voltemos ao caso da África do Sul. Durante o apartheid, os negros não podiam morar nos grandes centros, e foram aos poucos realocados para regiões mais periféricas das cidades, chamadas aqui de townships. Esses lugares muitas vezes não tinham o mínimo de saneamento básico necessário para o povo viver, tampouco eletricidade. Em muitos casos, uma torneira era dividida entre 10 famílias. Imagina isso? Em Durban nós também visitamos uma township, mas infinitamente menor do que esta. 

A maior dessas townships é justamente a Soweto, ( que é uma aglutinação de South Western townships) palco de muitas lutas e casa de um dos maiores nomes da luta dos negros sul-africanos: Nelson Mandela. Só para vocês terem ideia do tamanho, ela abriga cerca de 4 milhões de pessoas – o que significa quase 50% de toda a população de Joanesburgo.

Diferentemente do que eu imaginava, Soweto possui diferentes tipos de moradores: pobres, da classe média e ricos. Existe até um bairro onde é mais fácil encontrar as mansões. E por que essas pessoas não vão morar no centro de Joanesburgo? Por princípios. Para eles, morar em Soweto é motivo de orgulho. E deve ser mesmo.

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Nós também visitamos a casa onde Nelson Mandela morou em Orlando West. De original, o local não tem quase nada, mas mesmo assim é interessante pela história. Mandela abdicou de sua vida pessoal por um bem maior: libertar os negros daquele sistema opressor e cruel. Ele praticamente não viu os seus filhos crescerem e não nem esteve presente no nascimento deles.

Na mesma rua onde o sr. Mandela morou – a rua Vilakazi – também mora um outro ganhador do Prêmio Nobel: Desmond Tutu, que também foi laureado por conta de sua luta contra o apartheid. Para orgulho do povo daqui, esta é a única rua do mundo com dois moradores premiados.

Nós almoçamos na mesma rua do museu, no restaurante Sakhumzi. A comida era self-service e tipicamente sul-africana. Tudo bem gostoso, mas super apimentado!

Também visitamos o museu Hector Pieterson, um memorial construído no mesmo local onde um garoto de 13 foi morto por protestar contra a a imposição de que nas escolas era obrigatório que as aulas fossem em africâner (a língua dos brancos, consequentemente, do opressor). A foto de seu amigo e de sua irmã carregando seu corpo rodou o mundo e me impressionou profundamente.

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Dentro do museu, vi um pouco mais do desenvolvimento de uma conscientização dos moradores de Soweto em conquistar a sua liberdade. No dia em que Hector morreu, mais de 400 outras pessoas também morreram por protestar por uma sociedade mais justa e ao fim da imposição do africâner como língua das escolas.

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Não tem como não se abalar, enxugar umas lágrimas e sentir muita tristeza pelo sofrimento de tantas pessoas. Os negros continuam sendo a parcela mais pobre da população e, embora o país esteja lutando para correr atrás do tempo perdido, este é um processo que mudará apenas lentamente.

Para quem se interessou, outra sugestão é visitar o Museu do Apartheid em Joanesburgo.

Informações

 *O Viagem pelo Mundo viajou a convite do Turismo da África do Sul e da South African Airways 

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Deise de Oliveirahttp://www.viagempelomundo.com/
Doutora em Literatura russa, viajante compulsiva e fotógrafa de cães no Spitz Fotografia Pet. Criadora do Viagem pelo Mundo, já estudou em Moscou e morou na França. Adora mergulhar, fazer agility com o Wurst (seu spitz alemão) e uma cervejinha com os amigos. Siga-a nas redes sociais: Facebook Twitter

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